Na manhã desta terça-feira (24/02), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) lançou, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Plataforma Parque Cafeeiro, uma ferramenta pública, gratuita e de acesso universal voltada a toda a cadeia produtiva do café. O sistema foi desenvolvido para certificar o café brasileiro como livre de desmatamento, atendendo, principalmente, às exigências do EUDR (Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento).
A cerimônia ocorreu no auditório da sede da Conab, em Brasília (DF), com a presença do presidente da estatal, Edegar Pretto, da ministra substituta e secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, do ministro substituto e secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária, Guilherme Campos, da secretária de Serviços Compartilhados do Ministério da Gestão e da Inovação, Isabela Gebrim, do diretor-executivo de Política Agrícola e Informações da Conab, Sílvio Porto, do presidente do Conselho de Administração da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas, do presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Silas Brasileiro, do diretor geral do Cecafé, Marcos Matos, da Coordenadora do Centro de Sensoriamento Remoto (CSR) e do Centro Institucional de Tecnologia e Inovação Modelagem Ambiental (CT-Modelagem) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sônia Maria Carvalho Ribeiro, além de autoridades governamentais, instituições parceiras e lideranças do setor cafeeiro, incluindo representantes do Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC).
Mais do que um lançamento tecnológico, a Plataforma Parque Cafeeiro representa o resultado de um processo contínuo de articulação institucional, conduzido ao longo dos últimos anos, com forte protagonismo do Conselho Nacional do Café junto do Comitê Técnico do CDPC, das cooperativas cafeeiras e de seus corpos técnicos, em diálogo permanente com a Conab, ministérios e a comunidade científica.
Uma resposta brasileira às exigências globais
A nova plataforma apoia o cumprimento da legislação europeia que exige comprovação de que produtos como o café não sejam oriundos de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. Com chancela do Governo Federal, o sistema permite que produtores emitam declarações de conformidade ambiental, enquanto cooperativas, traders e exportadores podem acessar relatórios oficiais para comprovar, junto aos importadores europeus, a regularidade dos lotes comercializados.
Para o presidente da Conab, Edegar Pretto, trata-se de um passo estratégico para o país que influencia o aumento da renda do produtor por proporcionar conquista de mercados internacionais cada dia mais exigentes. “É uma ferramenta pública e gratuita que dá segurança ao produtor e abre caminho para o Brasil se afirmar como referência: produzir muito, com responsabilidade, e comprovar isso com dados.”
O sistema conecta-se a bases governamentais oficiais por meio de APIs (Aplication Programing Interface), garantindo atualização quase em tempo real, interoperabilidade, governança de dados e aderência às diretrizes do Estado brasileiro. Essa integração permitiu o mapeamento do parque cafeeiro em todo o território nacional, vinculando os imóveis produtores às diretrizes europeias de desmatamento zero.
Ciência, tecnologia e dados públicos a serviço da cafeicultura
O monitoramento ambiental da plataforma utiliza as versões mais recentes do Projeto PRODES, incluindo o PRODES Marco Temporal, além da verificação cruzada com o Cadastro Ambiental Rural (CAR), Terras Indígenas, Territórios Quilombolas e Unidades de Conservação.
O mapeamento das lavouras foi realizado entre 2021 e 2025, com uso de inteligência artificial, imagens de satélite de alta resolução e Redes Neurais Convolucionais (CNNs), capazes de identificar áreas em produção e em formação, considerando fenologia, manejo e evolução das lavouras ao longo do tempo, contando ainda com o apoio das equipes técnicas das cooperativas para identificar conformidades.
Segundo a professora Sônia Maria Carvalho Ribeiro, da UFMG, o projeto é fruto de um esforço técnico intenso e colaborativo. “Conjuntamente, conseguimos criar uma plataforma do Brasil, que integra diferentes bancos de dados governamentais por meio da API do Conecta Gov.br. Mais do que atender à diligência devida da EUDR, trata-se de um instrumento de gestão territorial para todo o setor cafeeiro.”
O papel do CNC: articulação, consenso e credibilidade
Desde as primeiras discussões sobre aperfeiçoamento do levantamento de safra e do parque cafeeiro, o CNC atuou como articulador central, reunindo cooperativas, entidades setoriais, Conab, MAPA e, posteriormente, a UFMG, com o objetivo de construir soluções públicas, confiáveis e tecnicamente robustas.
Para o presidente do CNC, Silas Brasileiro, a plataforma simboliza um esforço coletivo de alto nível. “É um trabalho de gigantes. O café é um produto nobre, com enorme impacto social e econômico. O Brasil responde às demandas globais com tecnologia, ciência e credibilidade, sem transferir custos indevidos aos produtores.”
A plataforma contou com o apoio irrestrito do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária, Guilherme Campos, além de todo o staff do Governo Federal envolvido na iniciativa. Esse suporte institucional foi decisivo para assegurar que um dos produtos mais nobres e estratégicos do país continuasse exercendo seu papel econômico e social.
O café ocupa atualmente a quarta posição no volume bruto da produção agrícola brasileira, destacando-se não apenas pelo valor gerado, mas, sobretudo, por sua expressiva capacidade de geração de emprego e renda no campo.
Como ressaltou o secretário Guilherme Campos, “Sua Majestade, o Café”, segue cumprindo sua missão de promover desenvolvimento, especialmente para os produtores rurais. Hoje, a cafeicultura brasileira reúne cerca de 330 mil produtores, dos quais 78% são pequenos produtores ou agricultores familiares — o que representa aproximadamente 257 mil famílias diretamente envolvidas na atividade em todo o Brasil.
Trata-se, portanto, de uma cadeia produtiva estratégica, inclusiva e essencial para o fortalecimento da economia nacional e para a sustentabilidade social do meio rural.
O CNC também teve papel decisivo na mobilização das cooperativas, cujos corpos técnicos contribuíram com dados de campo, metodologias próprias, validações regionais e conhecimento acumulado, fundamentais tanto para o levantamento de safra quanto para o mapeamento do parque cafeeiro. “As cooperativas, junto com o CNC, coordenadas pelo Dr. Silas, foram importantíssimas e continuarão sendo muito importantes nesse processo. Nós no ano passado, em outubro fizemos uma apresentação da primeira versão e foi exatamente com as cooperativas de Minas Gerais,São Paulo e Espírito Santo, que estavam diretamente vinculadas a esse diálogo, a essa construção, que pudessem fazer uma experimentação da primeira versão, acessando, verificando a consistência do trabalho que nós havíamos feito e foi fundamental essa participação”, explicou o diretor Silvio Porto, que aceitou esse desafio junto com sua competente e extraordinária equipe, cumprindo o prazo de construção da plataforma para atender a EUDR.
Cooperativas: base técnica e territorial do sistema
As cooperativas cafeeiras brasileiras desempenharam, muitas vezes de forma silenciosa, um protagonismo essencial em todo o processo. Seus técnicos integraram reuniões presenciais e virtuais com a Conab, além de participarem da validação de dados em campo, contribuíram para o teste de metodologias, assegurando um fluxo mensal de dados de forma a colaborar para a construção de um padrão metodológico mais próximo da realidade produtiva.
Para José de Alencar Coelho Júnior, diretor-secretário da Cocapec, o maior ganho é intangível. “O insumo mais raro hoje é a confiança. Um processo transparente transforma sustentabilidade em ativo, não em passivo. Esse é o diferencial do café brasileiro.”
O sistema já está em funcionamento e pode ser acessado em:
Clique aqui, veja a cerimônia completa e a opinião das autoridades sobre o assunto
Linha do tempo da construção coletiva
Novembro de 2023 – Alinhamento metodológico
Abril de 2024 – Credibilidade internacional
Maio de 2024 – Recursos e estrutura
Julho de 2024 – Consolidação técnica
Dezembro de 2024 – Pesquisa de campo
Janeiro de 2025 – Divulgação
Fevereiro de 2025 – Parque cafeeiro
Março de 2025 – Plataforma EUDR
Novembro de 2025 – Apresentação da Plataforma ao CDPC
Um marco para o presente e o futuro
A Plataforma Parque Cafeeiro consolida um novo patamar para a cafeicultura brasileira: dados públicos, ciência aplicada, cooperação institucional e protagonismo do produtor. O esforço conjunto entre Conab, CNC, cooperativas, UFMG, ministérios e órgãos federais reforça a posição do Brasil como líder mundial na produção sustentável de café, preparado para competir, comprovar e liderar no mercado internacional.
Mais informações para a imprensa
Assessoria de Comunicação CNC
Alexandre Costa – alexandrecosta@cncafe.com.br / imprensa@cncafe.com.br
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