O Espírito Santo é o maior produtor de café conilon do Brasil. Foto: Governo do ES
As exportações de café do Espírito Santo totalizaram 195 mil sacas em janeiro de 2026, somente de café solúvel foram 18 mil. Contudo, na comparação com janeiro do ano passado, o produto apresentou a maior queda em receita (61%), entre o arábica (-43%) e conilon (-13%).
Os dados são do Relatório Mensal de Exportação de Café pelo Espírito Santo, divulgado pelo Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), que mostra que, no período, no volume embarcado, arábica e solúvel caíram 52%, enquanto o conilon recuou 7%.
A retração também é apontada na comparação com o mês imediatamente anterior, dezembro de 2025, quando o café solúvel apresentou receita de US$ 4 milhões e queda de 42%. Do total faturado, US$ 12 milhões vieram do arábica (-67%) e US$ 39milhões do conilon (-13%). É importante lembrar que o estado é o maior exportador de conilon do país.
Além de o café solúvel ainda estar tarifado pelos EUA, o Secretário executivo do CCCV, Sandro Rodrigues, aponta a dificuldade com a exportação. “O café solúvel tem sido exportado por outros portos devido ao fator logístico. Rio de Janeiro e Santos têm vantagem logística e preço de frete internacional menor que o porto do Espírito Santo. A carga tem escolhido outros portos para ser embarcada”, ressalta.
Rodrigues também explica que uma combinação de fatores contribuiu para a queda do volume e receita do café capixaba. “É uma janela para a exportação onde os concorrentes do Espírito Santo e do Brasil entram no mercado oferecendo café. O Brasil colhe de maio até o final de agosto ou setembro. Quando chega de outubro em diante, começa a entrar o café da Colômbia, Indonésia e Vietnã. Isso é sazonal, período em que estamos encerrando nossa safra”, destacou.
Outro fator apontado por Rodrigues é a questão da competitividade: “Basicamente, o conilon já está menos competitivo que o do Vietnã, que colhe 20 milhões de sacas só para exportação e fica mais barato no mercado. Outro fator pode ser a variação do dólar, mas os dois primeiros pontos têm um peso maior, principalmente na questão da competitividade”.
Outro componente relatado por Rodrigues é que as empresas que, nesse período, já estão abastecidas. “Fevereiro, mercadologicamente falando, é um mês em que temos maior certeza com relação ao potencial da colheita de café em nível Brasil. Quem tinha que comprar já comprou; agora a expectativa é quanto à próxima safra. Se a safra for grande, o preço cai para quem compra”, disse.
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