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Tarifa de 15% dos EUA favorece café solúvel do Brasil

Se mantida, taxa reduz patamar de 50% que estava em vigor desde de agosto de 2025, mas setor pede acordos comerciais

Por Nayara Figueiredo — São Paulo | Globo Rural

No acumulado de 2025, os norte-americanos permaneceram como o principal destino das exportações do setor, mas reduziram as compras — Foto: Wenderson Araújo/CNA

A indústria de café solúvel comemorou o anúncio do governo americano de uma tarifa global de 15% que, se for mantida, substitui a taxa de 50% que estava em vigor sobre este produto do Brasil. O diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Aguinaldo Lima, ressalta, porém, que há necessidade de acordos comerciais para dar suporte a este mercado.

“A situação estava ficando pior a cada mês nas vendas com aquele que é o maior cliente de café solúvel do Brasil. Agora, a gente entra em um novo patamar, seja de 10% ou 15% a tarifa, mas que coloca todos os fornecedores em circunstâncias iguais”, disse o executivo.

Em agosto do ano passado, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou tarifas contra diversos produtos brasileiros. Parte delas foi derrubada posteriormente, mas itens como o café solúvel continuaram taxados desde então.

No acumulado de 2025, os norte-americanos permaneceram como o principal destino das exportações do setor e adquiriram o equivalente a 558.740 sacas, mas houve queda de 28,2% em relação ao ano anterior, segundo dados da Abics.

“No período da aplicação dessa tarifação de 50%, entre agosto e dezembro, a redução foi ainda mais drástica: 40% ante o mesmo período do ano anterior. Isso evidencia o impacto direto e imediato da barreira comercial na competitividade do café solúvel nacional”, lembrou Lima.

A notícia da taxa de 15%, anunciada no sábado (21/2), ainda exige cautela, mas é “extremamente positiva”, na visão da Abics, pois dá chance para que os exportadores brasileiros tentem recuperar os compradores que foram perdidos no ano passado.

Ao todo, o setor embarcou 3,688 milhões de sacas de 60 kg ao exterior no ano passado, queda de 10,6% na comparação com 2024.

De acordo com o diretor, o Brasil sempre foi o país mais competitivo do mundo no segmento de café solúvel e agora está sendo ameaçado pelo Vietnã, que provavelmente deve ultrapassar em nível de produção e exportação esse ano, por ter acordos comerciais que o Brasil não tem.

“O Vietnã tem usado muitos os acordos, principalmente na Ásia, onde mais cresce o solúvel”, afirmou. “Também temos que procurar sempre solicitar que o governo brasileiro continue negociando, tendo acordos harmoniosos com os EUA, para não prejudicar nosso comércio”, acrescentou.

Leonardo Assad

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