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Safra recorde deve aliviar preço do café no 2º semestre, diz Fazenda

Secretaria de Política Econômica avalia que maior produção do grão mundial e estabilização do real tendem a diminuir valores para consumidores brasileiros

Por Cristiane Noberto, da CNN Brasil, Brasília

O enema de café tem ganhado popularidade nas redes sociais, mas é perigoso à saúde  • Cavan Images/GettyImages

O consumidor brasileiro pode encontrar o café mais barato nas prateleiras dos supermercados a partir do segundo semestre deste ano, segundo avaliação da SPE (Secretaria de Política Econômica) do MF (Ministério da Fazenda).

A secretaria projeta que a safra recorde no Brasil, somada ao aumento da produção em outros grandes países produtores, deve reduzir os preços no atacado e favorecer a desaceleração da inflação do produto ao longo de 2026.

Segundo a área econômica, o movimento de expansão da oferta não ocorre apenas no país. Os técnicos apontam que outros grandes produtores mundiais como Vietnã, Indonésia e Colômbia também tendem a ter boas colheitas, o que gera um efeito em cadeia global.

Esse aumento conjunto da produção tende a aliviar as pressões observadas nas cotações internacionais, hoje sustentadas por estoques globais historicamente baixos. 

“Esse movimento conjunto de expansão da oferta global tende a reduzir a pressão observada nas cotações internacionais”, disse a SPE em resposta ao CNN Agro.

No mercado doméstico, a expectativa é de impacto mais visível na segunda metade do ano, quando a colheita se concentra. Mas o repasse ao consumidor não deve ser imediato. 

“No plano doméstico, a safra recorde deve contribuir para a redução dos preços no atacado, sobretudo a partir do segundo semestre de 2026, período de maior concentração da colheita. A transmissão ao consumidor tende a ocorrer de forma gradual ao longo da cadeia produtiva, favorecendo a desaceleração da inflação do item café no IPCA ao longo do ano. A magnitude do repasse dependerá principalmente da evolução do câmbio e do ritmo das exportações. Mantido o cenário de ampliação da oferta no Brasil e nos principais produtores globais, não se pode descartar a ocorrência de deflação nos preços do café em 2026”, frisou a secretaria. 

Representantes do setor também veem um mercado mais previsível após dois anos marcados por problemas climáticos, produção insuficiente e estoques baixos. Segundo a Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), a expectativa de safra melhor e clima mais estável em 2026 tende a equilibrar a oferta e reduzir oscilações bruscas no varejo. 

A entidade ressalta, porém, que variações pontuais seguem ocorrendo ao longo da cadeia: entre novembro e dezembro de 2025, o preço médio por quilo dos cafés Tradicional e Extraforte recuou R$ 4,58, movimento atribuído ao custo da matéria-prima no período.

O cenário para o produto ocorre em um ambiente de inflação geral em desaceleração. Em uma análise divulgada no começo do mês com as perspectivas macroeconômicas para 2026, a SPE projeta que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deve recuar de 4,3% em 2025 para cerca de 3,6% neste ano, embora veja possibilidade de pressões moderadas nos preços de alimentos ao longo do período. 

Exportações e câmbio seguem no radar

Apesar da atratividade das exportações com preços internacionais ainda firmes, não há evidências, segundo a secretaria, de um novo processo de aumento do preço doméstico ligado ao dólar, nem risco de desabastecimento interno. 

“Nesse contexto, não se identifica, a priori, risco relevante de desabastecimento interno, mesmo com a manutenção da atratividade das exportações. Tampouco se vislumbra um processo adicional de “dolarização” dos preços domésticos, uma vez que estes já incorporam a referência internacional e a paridade de exportação como mecanismo regular de formação de preços”, destacou a pasta.

Segundo a SPE, o real já esteve mais depreciado do que atualmente e há expectativa de aumento no volume produzido também em outros países produtores do grão.

Impacto no PIB do agro

Com a produtividade do café em alta, a produção maior deve contribuir para o desempenho do setor agropecuário neste ano, apesar do cenário geral ser de um crescimento mais baixo se comparado ao ano passado. 

“Mantidas as demais variáveis constantes, o aumento da produção tende a contribuir positivamente para o crescimento do PIB agropecuário no ano, com impacto mais concentrado no segundo e no terceiro trimestres, períodos em que a cultura apresenta maior peso na dinâmica da atividade do setor”, apontou a SPE.

A projeção oficial do Ministério da Fazenda é de crescimento de cerca de 0,5% para o PIB agropecuário em 2026, após o forte desempenho do setor no ano anterior, cuja expectativa é de um avanço de 11,3%. 

Custos podem limitar queda

A secretaria monitora, porém, o comportamento dos custos de produção, que podem moderar o efeito da safra maior sobre os preços e avançar sobre o margem de ganho dos produtores. 

De acordo com a SPE a evolução dos custos de produção, especialmente os fertilizantes, cujos preços vinham caindo no atacado ao longo do segundo semestre de 2025, voltaram a subir neste início de ano — o que pode limitar a queda dos preços ao serem repassados ao consumidor.

“Caso esse movimento se consolide, o aumento dos custos ao produtor tende a limitar a queda esperada nos preços em decorrência da maior oferta de produtos. Ainda assim, o efeito final dependerá da magnitude do ganho de produtividade, da escala da safra e das condições de comercialização nos mercados interno e externo”, informou a pasta. 

Leonardo Assad

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