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Setor de café perde R$ 66,1 milhões em 2025 com infraestrutura portuária

Na média, 55% dos navios tiveram atrasos ou mudanças de escala e 1.824 contêineres deixaram de ser embarcados a cada mês

Por Cibelle Bouças— São Paulo | Globo Rural

Atrasos nos portos geram prejuízos aos exportadores de café — Foto: Divulgação

Exportadores de café registraram perda de R$ 66,1 milhões em 2025 causada pela infraestrutura defasada nos principais portos brasileiros, ante R$ 51,5 milhões em 2024. Os dados são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Em dezembro do ano passado, 1.475 contêineres (486,3 mil sacas de 60 quilos) estufados com café deixaram de ser embarcados.

Na média, 55% dos navios tiveram atrasos ou mudanças de escala e 1.824 contêineres estufados com café (601,8 mil sacas) deixaram de ser exportados a cada mês. Com isso, o país deixou de receber US$ 2,64 bilhões (R$ 14,67 bilhões) como receita cambial no ano. Em 2024, o país deixou de receber US$ 555,6 milhões (R$ 3,39 bilhões) como receita cambial.

Apenas em dezembro, 52% dos navios, ou 187 de um total de 361 embarcações, tiveram atrasos ou mudanças de escala, de acordo com o Boletim Detention Zero (DTZ), elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé.

O Porto de Santos, que respondeu por 78,7% dos embarques de café entre janeiro e dezembro de 2025, registrou um índice de 65% de atraso ou alteração de escalas de navios, o que envolveu 105 do total de 162 porta-contêineres. O tempo mais longo de espera no mês retrasado foi de 82 dias no embarcadouro santista.

O complexo portuário do Rio de Janeiro (RJ), o segundo maior exportador dos cafés do Brasil, com 17,7% de participação nos embarques em 2025, teve índice de atrasos de 41% no mês retrasado, com o maior intervalo sendo de 13 dias entre o primeiro e o último deadline.

“Filas de caminhões, pátios lotados, falta de berços, rolagens de cargas, atrasos e alterações de escalas de navios geraram esses prejuízos milionários com armazenagens adicionais, pré-stacking e detentions”, afirmou em nota Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé.

Heron observou que o café não é a única commodity prejudicada com os entraves da infraestrutura portuária. O cenário se repete com outras cargas que dependem de contêineres, como algodão e açúcar.

“É preciso que nossos governantes tenham ciência dessa realidade e dos prejuízos enfrentados ao cumprimento dos recordes para que executem políticas públicas adequadas para tentar sanar, com celeridade, os gargalos, estimulando diversificação de modais de transporte, ampliando a oferta de capacidade de pátio e berços nos terminais portuários, assim como o aprofundamento de calados para o recebimento de grandes embarcações, por exemplo”, acrescentou.

Ainda segundo o Cecafé, de 2016 a 2025, as exportações do agronegócio brasileiro registraram crescimento de 72%, passando de 158,9 milhões de toneladas para 273,1 milhões de toneladas, com uma taxa de crescimento médio anual de 6%.

“Se mantido esse cenário de evolução do agro e os investimentos em infraestrutura seguirem de forma morosa e burocrática, o comércio exterior brasileiro seguirá acumulando prejuízos e o país continuará perdendo competitividade e oportunidades”, concluiu Heron.

O Cecafé estima que, com a parceria entre Imetame Porto Aracruz e Hanseatic Global Terminals (HGT), subsidiária do armador holandês Hapag-Lloyd, mais cargas de café sejam direcionadas para o Espírito Santo, ajudando a desafogar o Porto de Santos.

Leonardo Assad

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